Aprendizagem e aprendizagem social
Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.
O que é aprender
Aprender é uma mudança relativamente duradoura no comportamento ou no conhecimento produzida pela experiência. As formas mais simples não exigem associação entre eventos: na habituação, a resposta a um estímulo repetido e inofensivo vai enfraquecendo, o que permite ignorar o relógio na parede ou o ruído do trânsito; na sensibilização, um estímulo intenso ou doloroso deixa o organismo mais reativo a tudo o que vem depois. Esses processos aparecem até em animais com sistemas nervosos muito simples, como a lesma-do-mar estudada por Kandel. O erro comum é tratar habituação como cansaço dos sentidos: uma pequena mudança no estímulo traz a resposta de volta, sinal de que o sistema nervoso continua registrando o que acontece.
Afirmações deste tópico
- “Depois de ouvir o mesmo barulho muitas vezes sem que nada aconteça, a pessoa passa a reagir cada vez menos a ele.”Responder
- “Depois de um susto forte, uma pessoa passa a reagir com mais intensidade a estímulos leves que antes nem notaria.”Responder
- “Toda mudança de comportamento conta como aprendizagem, inclusive as causadas por cansaço ou por uma droga.”Responder
- “Reflexos inatos, como sugar e piscar, são exemplos de aprendizagem.”Responder
- “Quando deixamos de reagir a um barulho repetido, é porque nossos ouvidos ficaram cansados de captá-lo.”Responder
- “Pesquisadores descobrem o que bebês percebem medindo quanto tempo eles olham para um estímulo repetido e para um estímulo novo.”Responder
- “Se um comportamento aprendido não aparece em um teste, é sinal de que a aprendizagem não ocorreu.”Responder
- “Uma lesma-do-mar com cerca de vinte mil neurônios é capaz de habituação, sensibilização e condicionamento.”Responder
- “Quem se habituou a um som específico deixa de reagir também a qualquer outro som de intensidade parecida.”Responder
Condicionamento clássico
Pavlov observou que um estímulo neutro, pareado repetidamente com algo que já provoca uma resposta automática, passa a provocá-la sozinho: vira estímulo condicionado, e a reação aprendida é a resposta condicionada. Depois da aquisição vem a extinção, quando o estímulo aparece sem o parceiro e a resposta enfraquece; um intervalo de descanso pode trazê-la de volta por recuperação espontânea. A resposta também se generaliza para estímulos parecidos e pode ser discriminada quando só um deles é seguido do evento. O pequeno Albert, de Watson, e a aversão a sabores, de Garcia, mostram que medos e enjoos se aprendem assim, às vezes numa única experiência. O engano frequente é achar que a extinção apaga a aprendizagem original.
Afirmações deste tópico
- “Pavlov descobriu o condicionamento enquanto pesquisava a digestão, trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Nobel.”Responder
- “Um cão condicionado a salivar diante de um tom pode aprender a não salivar diante de outro tom que nunca é seguido de comida.”Responder
- “Um som que antes não provocava nada pode, depois de ser pareado várias vezes com comida, provocar salivação sozinho.”Responder
- “Um animal pode aprender a evitar um alimento depois de uma única experiência de enjoo ocorrida horas após a refeição.”Responder
- “Uma resposta condicionada que deixou de aparecer pode voltar sozinha depois de um período de descanso.”Responder
- “O condicionamento é mais forte quando o estímulo neutro aparece logo depois do estímulo incondicionado do que quando aparece antes dele.”Responder
- “Um medo condicionado a um objeto específico pode se estender a objetos parecidos que nunca foram pareados com nada desagradável.”Responder
- “Um estímulo pareado apenas com um estímulo condicionado já estabelecido, e nunca com a comida, também pode passar a provocar salivação.”Responder
- “A extinção apaga a associação original e deixa o estímulo exatamente como era antes do condicionamento.”Responder
Condicionamento operante
No condicionamento operante, descrito por Thorndike e sistematizado por Skinner, o comportamento é moldado pelas consequências. Reforço é qualquer consequência que torna o comportamento mais provável: positivo quando algo é acrescentado, negativo quando algo desagradável é retirado. Punição torna o comportamento menos provável e também pode ser positiva ou negativa. Comportamentos complexos surgem por modelagem, recompensando aproximações sucessivas do ato final. Reforçadores primários satisfazem necessidades biológicas; secundários, como dinheiro, ganham valor por associação. Dois enganos são comuns: confundir reforço negativo com punição, que têm efeitos opostos, e supor que punir é a forma mais eficaz de ensinar. A punição informa o que não fazer, mas não ensina o comportamento desejado, e prêmios externos podem reduzir o interesse por uma atividade já prazerosa.
Afirmações deste tópico
- “É possível ensinar um animal a fazer algo complexo recompensando passos cada vez mais parecidos com o comportamento final.”Responder
- “Reforço negativo é apenas outro nome para punição.”Responder
- “Uma multa por excesso de velocidade é um exemplo de reforço negativo.”Responder
- “O reforço positivo só funciona com recompensas materiais; elogios e atenção não alteram a frequência de um comportamento.”Responder
- “Punir é a maneira mais eficaz de ensinar um comportamento novo.”Responder
- “Gatos presos em uma caixa com trava escapavam cada vez mais rápido ao longo das tentativas, sem nenhum salto súbito de compreensão.”Responder
- “Uma consequência só é considerada reforçadora se aumentar a frequência do comportamento, independentemente de parecer agradável.”Responder
- “Prometer um prêmio a crianças por uma atividade de que elas já gostam pode reduzir o interesse delas por essa atividade.”Responder
- “A oportunidade de realizar uma atividade frequente pode servir de reforço para uma atividade menos frequente.”Responder
Esquemas de reforço e comportamento
Reforçar toda resposta ensina rápido, mas o comportamento some rápido quando o reforço para. Reforço parcial, entregue só em algumas ocasiões, produz comportamentos mais resistentes à extinção. Os esquemas variam em duas dimensões: razão, baseada no número de respostas, ou intervalo, baseado no tempo; fixo ou variável. Esquemas de razão variável, como os de caça-níqueis, geram respostas altas e persistentes. Skinner mostrou que pombos alimentados em horários fixos, sem relação com o que faziam, desenvolviam rituais repetitivos, um modelo de superstição. No sentido oposto, Seligman descobriu que animais expostos a choques inevitáveis deixavam de tentar fugir mesmo quando a fuga se tornava possível, o desamparo aprendido. O erro comum é pensar que recompensas previsíveis e constantes mantêm melhor um comportamento.
Afirmações deste tópico
- “Recompensas imprevisíveis mantêm um comportamento por mais tempo do que recompensas previsíveis.”Responder
- “Para ensinar um comportamento novo, reforçar só de vez em quando funciona mais rápido do que reforçar toda resposta.”Responder
- “Caça-níqueis pagam em intervalos de tempo fixos, e é por isso que as pessoas continuam jogando.”Responder
- “Pagamento por peça produzida é um exemplo de esquema de razão fixa.”Responder
- “Pombos que recebem comida em intervalos regulares, independentemente do que fazem, desenvolvem movimentos repetitivos como se eles produzissem a comida.”Responder
- “Em um esquema de intervalo fixo, as respostas se concentram pouco antes do momento em que o reforço fica disponível.”Responder
- “Cães expostos a choques dos quais não podiam escapar depois deixaram de tentar fugir mesmo quando a fuga se tornou possível.”Responder
- “Esquemas de razão produzem taxas de resposta mais altas do que esquemas de intervalo, mesmo quando a quantidade de reforço recebida é a mesma.”Responder
- “Em esquemas de razão fixa, o animal costuma fazer uma pausa logo depois de receber cada reforço.”Responder
Aprendizagem por observação
Grande parte do que sabemos foi aprendido vendo outras pessoas fazerem, sem reforço direto. Bandura demonstrou isso com o boneco João-Bobo: crianças que assistiram a um adulto agredindo o boneco reproduziram os golpes, e com mais frequência quando o adulto era recompensado. A observação transmite comportamentos e também o que esperar deles, e o aprendizado pode ficar latente até surgir uma ocasião. Medos se aprendem assim: macacos criados em laboratório passam a temer cobras depois de ver outro macaco assustado. Neurônios-espelho e a imitação precoce em bebês sugerem uma base biológica para copiar os outros. O debate sobre violência na mídia parte desses achados: a exposição está associada a mais agressividade, mas o efeito é modesto e depende de muitos outros fatores.
Afirmações deste tópico
- “Crianças podem aprender comportamentos agressivos só de observar um adulto.”Responder
- “Para aprender por observação, basta que o comportamento esteja diante dos olhos; prestar atenção e lembrar não fazem diferença.”Responder
- “Observar modelos também transmite comportamentos de ajuda e generosidade, não apenas agressão.”Responder
- “Macacos criados em laboratório passam a ter medo de cobras só de ver outro macaco reagir com medo a uma cobra.”Responder
- “No cérebro de macacos, existem neurônios que disparam tanto quando o animal pega um objeto quanto quando vê outro indivíduo pegá-lo.”Responder
- “Quando um número suficiente de macacos de uma ilha aprendeu a lavar batatas, a habilidade surgiu espontaneamente em macacos de outras ilhas.”Responder
- “Crianças que viram um adulto ser punido por agredir o boneco imitaram menos, mas mostraram ter aprendido os golpes quando lhes ofereceram um prêmio para reproduzi-los.”Responder
- “Está comprovado que o autismo é causado por uma falha nos neurônios-espelho.”Responder
- “Apenas primatas são capazes de aprender observando o que outros indivíduos fazem.”Responder
Cognição e biologia na aprendizagem
A visão de que aprender é só formar associações mecânicas foi corrigida por evidências cognitivas e biológicas. Tolman mostrou que ratos exploravam labirintos sem recompensa e, quando ela aparecia, revelavam de imediato um mapa cognitivo: a aprendizagem latente já existia. Rescorla demonstrou que no condicionamento clássico o que conta não é a mera contiguidade, mas o quanto um estímulo prevê o outro; no bloqueio, descoberto por Kamin, um estímulo que já prevê perfeitamente o evento impede que um segundo, apresentado junto, seja aprendido. Do lado biológico, cada espécie está preparada para certas associações: sabor liga-se facilmente a enjoo, e luz ou som a choque, não o contrário. Alterações nas sinapses, como a potenciação de longo prazo, sustentam essas mudanças.
Afirmações deste tópico
- “Fobias de cobras e aranhas são muito mais comuns do que fobias de tomadas e carros, embora estes causem muito mais mortes.”Responder
- “Com treino suficiente, qualquer comportamento pode ser condicionado em qualquer espécie, sem limites biológicos.”Responder
- “O cérebro adulto não muda de estrutura com a prática; depois dos 25 anos, aprender é apenas reorganizar memórias antigas.”Responder
- “Ratos só aprendem o caminho de um labirinto se forem recompensados durante o treino.”Responder
- “No condicionamento clássico, só importa quantas vezes os dois estímulos aparecem juntos; se o primeiro realmente prevê o segundo não faz diferença.”Responder
- “Se um estímulo já prevê perfeitamente um evento, um segundo estímulo apresentado junto com ele passa a ser aprendido tão bem quanto o primeiro.”Responder
- “Usuários de heroína correm mais risco de overdose quando tomam a dose habitual em um ambiente diferente do costumeiro.”Responder
- “Ratos associam facilmente um sabor a enjoo, mas não conseguem associar esse mesmo sabor a um choque elétrico.”Responder
- “A resposta do sistema imunológico pode ser condicionada classicamente a um sabor.”Responder
Mitos sobre aprender
Várias crenças populares sobre aprendizagem não resistem aos dados. A ideia de que cada pessoa aprende melhor no seu estilo (visual, auditivo, cinestésico) é aceita por muitos professores, mas estudos que combinaram ou descombinaram ensino e estilo não encontraram vantagem. Gravações durante o sono não ensinam idiomas; o sono consolida o que foi estudado acordado. O efeito Mozart foi um ganho pequeno e passageiro em uma tarefa espacial, não um aumento duradouro de inteligência. As dez mil horas descrevem o treino de especialistas, mas prática por si só não garante excelência e a quantidade necessária varia muito. Por fim, treinar um tipo de problema até dominá-lo parece eficiente, mas misturar tipos na mesma sessão produz aprendizagem mais durável.
Afirmações deste tópico
- “Pessoas aprendem melhor quando o ensino combina com seu estilo de aprendizagem.”Responder
- “Ouvir gravações durante o sono permite aprender um idioma novo.”Responder
- “Dez mil horas de prática transformam qualquer pessoa em especialista em qualquer área.”Responder
- “Pessoas com o lado direito do cérebro dominante aprendem melhor com imagens, e as de lado esquerdo dominante, com palavras.”Responder
- “Ouvir Mozart na infância aumenta a inteligência de forma duradoura.”Responder
- “Praticar um tipo de problema por vez, até dominá-lo, antes de passar ao próximo, dá melhores resultados do que misturar tipos diferentes na mesma sessão.”Responder
- “Testar a si mesmo sobre um conteúdo produz mais retenção a longo prazo do que reler o mesmo material pelo mesmo tempo.”Responder
- “Jogos de treinamento cerebral melhoram de forma ampla a inteligência e o desempenho em tarefas do dia a dia.”Responder