Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 01 de 14 · 7 tópicos · 22 afirmações

Neurociência básica

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

Neurônios e potencial de ação

O neurônio é a unidade de sinalização do sistema nervoso: dendritos recebem sinais, o corpo celular os integra e o axônio conduz o impulso até os terminais. Em repouso, a membrana mantém o interior negativo em relação ao exterior, perto de -70 mV, graças a bombas e canais iônicos. Quando a despolarização atinge o limiar, canais de sódio se abrem e disparam o potencial de ação, que obedece à lei do tudo ou nada: a intensidade do estímulo altera a frequência de disparos, não o tamanho de cada impulso. A bainha de mielina, produzida pela glia, acelera a condução por saltos entre os nós. O erro comum é imaginar o impulso como corrente elétrica contínua que varia de força.

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02

Neurotransmissores e sinapses

Entre um neurônio e outro existe a fenda sináptica, e a comunicação ali é sobretudo química: o impulso libera neurotransmissores das vesículas, que se ligam a receptores da célula seguinte e a excitam ou inibem. O sinal termina por recaptação ou degradação enzimática, e é nesses passos que muitas drogas agem, como agonistas ou antagonistas. Glutamato é o principal excitatório, GABA o principal inibitório, e acetilcolina, dopamina, serotonina e noradrenalina modulam movimento, motivação, humor e alerta. A degeneração de neurônios dopaminérgicos da substância negra explica os sintomas motores do Parkinson. O mal-entendido frequente é tratar cada neurotransmissor como molécula de um único sentimento, como a dopamina sendo apenas prazer.

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03

Estruturas do cérebro e funções

O cérebro se organiza em camadas de complexidade crescente. O tronco encefálico regula respiração, batimentos e vigília; o cerebelo coordena movimento e equilíbrio; tálamo, hipotálamo, hipocampo e amígdala cuidam de retransmissão sensorial, regulação corporal, formação de memórias novas e resposta a ameaças. O córtex se divide em lobos occipital, parietal, temporal e frontal, com áreas sensoriais, motoras e de associação. Casos clássicos mostram a especialização: lesão do hipocampo impede formar memórias novas sem apagar as antigas; lesão bilateral da amígdala prejudica reconhecer medo em rostos; o acidente de Phineas Gage ligou o lobo frontal à personalidade e ao autocontrole. O erro comum é imaginar que cada função mora numa única região isolada.

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04

Lateralização, cérebro dividido e mitos

Os dois hemisférios se comunicam pelo corpo caloso. Pacientes em que ele foi seccionado para tratar epilepsia revelaram diferenças reais: o esquerdo costuma controlar a linguagem, o direito tem vantagem em tarefas espaciais e no reconhecimento de rostos. Por isso um objeto mostrado só ao campo visual esquerdo chega ao hemisfério direito e a pessoa não consegue nomeá-lo, embora possa apanhá-lo com a mão esquerda. Dessa assimetria nasceu o mito das pessoas de cérebro esquerdo lógicas e cérebro direito criativas, sem apoio em exames de imagem. Também não usamos apenas 10% do cérebro, cérebros maiores não são sempre mais inteligentes, e neurônios-espelho não leem pensamentos.

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05

Sistema nervoso periférico e endócrino

Fora do encéfalo e da medula, o sistema nervoso periférico leva informação sensorial para dentro e comandos para fora. A divisão somática controla os músculos voluntários; a autônoma regula órgãos internos pelos ramos simpático, que mobiliza o corpo para a ação, e parassimpático, que restaura o repouso. O sistema endócrino age mais devagar, por hormônios liberados no sangue, com a hipófise respondendo ao hipotálamo e as adrenais liberando cortisol e adrenalina sob estresse. O cérebro, porém, não recebe qualquer substância do sangue: a barreira hematoencefálica filtra o que passa dos vasos ao tecido nervoso. A confusão comum é tratar nervos e hormônios como vias independentes, quando o hipotálamo liga as duas.

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06

Plasticidade, neurogênese e genética

O cérebro muda com a experiência ao longo de toda a vida: sinapses se fortalecem ou enfraquecem com o uso, mapas corticais se reorganizam após lesão ou treino intenso, e em algumas regiões, como o hipocampo, surgem neurônios novos mesmo no adulto. Essa plasticidade é maior na infância, mas não termina nela. Na genética do comportamento, estudos com gêmeos e adotados estimam quanto da variação de um traço se deve a genes e ambiente, sempre em interação, e a epigenética mostra o ambiente regulando a expressão gênica. O erro comum é o determinismo em qualquer direção, como acreditar que música na gravidez eleva a inteligência do bebê ou que tudo já está fixado ao nascer.

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07

Sono, consciência e métodos de imagem

O sono não é desligamento: o cérebro percorre ciclos de cerca de 90 minutos entre estágios de ondas lentas e o sono REM, em que a atividade cortical se parece com a vigília, os olhos se movem rápido, o corpo fica paralisado e ocorrem os sonhos mais vívidos. O sono consolida memórias e regula humor e metabolismo. Para observar essa atividade, cada método tem seu alcance: o EEG registra ritmos elétricos no couro cabeludo com ótima resolução temporal mas localização grosseira; a ressonância funcional e o PET mostram onde há mais fluxo sanguíneo ou metabolismo, com boa resolução espacial e atraso de segundos. O erro comum é tomar imagens coloridas como fotografias diretas do pensamento.

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