Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 07 de 14 · 7 tópicos · 22 afirmações

Saúde e bem-estar

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

Modelo biopsicossocial e comportamentos de saúde

A psicologia da saúde parte do modelo biopsicossocial: saúde e doença resultam da interação entre fatores biológicos, pensamentos e emoções, e contexto social. As principais causas de morte evitável nos países industrializados dependem de comportamento: fumar, dieta, sedentarismo, álcool, sono insuficiente. Mudar esses hábitos é difícil porque os prazeres são imediatos e os danos, distantes; a maioria dos fumantes que tenta parar recai e precisa de várias tentativas até conseguir. Modelos de estágios de mudança descrevem a passagem da pré-contemplação à manutenção, e intervenções funcionam melhor quando ajustadas ao estágio. Normas sociais, renda e acesso a serviços pesam tanto quanto a vontade individual. O equívoco comum é tratar hábitos de saúde como pura questão de força de vontade.

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02

Estresse, sistema imune e doença

Estresse é a resposta do organismo a demandas avaliadas como maiores que seus recursos. Diante de uma ameaça, o sistema simpático acelera o coração e desvia energia da digestão, e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal libera cortisol. Selye descreveu a síndrome geral de adaptação: alarme, resistência e exaustão. Breve, a resposta é adaptativa; prolongada, enfraquece a imunidade. Cohen expôs voluntários a vírus do resfriado e viu mais infecções entre os mais estressados; pessoas sob estresse crônico respondem pior a vacinas e cicatrizam mais devagar. No coração, a hostilidade, mais do que a pressa do chamado tipo A, e o baixo controle sobre o próprio trabalho estão ligados a doença coronariana. Já as úlceras, por muito tempo atribuídas ao estresse, têm uma bactéria como causa principal.

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03

Enfrentamento e apoio social

Lazarus distinguiu a avaliação primária, que julga se um evento é ameaça, da secundária, que julga os recursos para lidar com ele. Enfrentamento focado no problema ataca a causa; focado na emoção regula a reação, útil quando a situação não pode ser mudada. Pessoas com relações sociais fortes adoecem menos e vivem mais, efeito comparável ao de parar de fumar em grandes revisões; o apoio amortece a resposta ao estresse. Pennebaker mostrou que escrever por alguns dias sobre uma experiência difícil está associado a menos visitas médicas nos meses seguintes. Nem toda ajuda ajuda: a sessão única de debriefing logo após um trauma não previne o estresse pós-traumático e em alguns estudos piorou o quadro. Resiliência é o desfecho mais comum após adversidade.

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04

Sono, exercício e humor

Três hábitos cotidianos têm efeitos mensuráveis sobre humor e cognição. A privação de sono, mesmo uma única noite, reduz a atenção, piora o controle emocional e aumenta a irritabilidade; a perda crônica está associada a obesidade, hipertensão e depressão. Exercício aeróbico regular está ligado a menos sintomas depressivos e ansiosos, e ensaios controlados mostram efeito comparável ao de tratamentos convencionais em casos leves a moderados, além de melhorar sono e memória. Programas de meditação com atenção plena, testados em ensaios clínicos, produzem reduções pequenas a moderadas de ansiedade e depressão, não a transformação que o marketing promete. Relaxamento e respiração reduzem a ativação fisiológica. O erro comum está nos extremos: tratar esses hábitos como irrelevantes ou como substitutos universais de tratamento.

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05

Placebo, nocebo e mente-corpo

Um comprimido sem princípio ativo pode reduzir dor real: o efeito placebo nasce da expectativa, do condicionamento com tratamentos anteriores e do contexto clínico, e tem base fisiológica. Estudos com naloxona, que bloqueia os opioides naturais, anulam parte da analgesia placebo, e exames de imagem mostram mudanças em regiões cerebrais ligadas à dor. O oposto também ocorre: esperar efeitos colaterais faz a pessoa senti-los mesmo com uma substância inerte, o efeito nocebo. Por isso ensaios clínicos comparam o tratamento com placebo em condições duplo-cegas. O engano comum é dizer que o placebo é só a pessoa afirmando que melhorou; há mudanças reais, embora limitadas a sintomas como dor, náusea e humor, não à causa de infecções ou tumores.

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06

Felicidade e psicologia positiva

A psicologia positiva, impulsionada por Seligman, estuda o que faz a vida valer a pena: emoções positivas, engajamento, relações, sentido e realização. O bem-estar subjetivo é relativamente estável, com forte componente hereditário e uma linha de base à qual as pessoas voltam depois de ganhos e perdas, a adaptação hedônica. Dinheiro aumenta a felicidade sobretudo quando tira a pessoa da pobreza; acima disso, o ganho diminui. Relações próximas, gratidão, generosidade e gastar com experiências em vez de objetos têm efeitos consistentes. Otimismo está associado a melhor saúde e mais adesão a tratamentos, mas a afirmação de que atitude positiva aumenta a sobrevivência ao câncer não se confirmou em estudos grandes e ainda culpa o paciente. Emoções negativas também têm função.

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07

Mitos de saúde mental e comportamento

Crenças muito difundidas sobre corpo e mente não sobrevivem ao teste. Descarregar a raiva socando uma almofada não alivia: estudos de catarse mostram que ensaiar a agressão a mantém ou aumenta. A lua cheia não lota prontos-socorros nem altera o comportamento; dezenas de estudos com registros hospitalares e policiais não acharam relação. Açúcar não deixa crianças hiperativas; ensaios duplo-cegos não encontraram efeito, e pais que acreditavam que o filho tomou açúcar relataram mais agitação. Antidepressivos levam semanas para agir, não horas. E a maioria das pessoas expostas a um trauma não desenvolve estresse pós-traumático; o desfecho mais frequente é a recuperação. O erro comum em todos esses casos é confiar em coincidências marcantes e em explicações que soam plausíveis.

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