Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 13 de 14 · 7 tópicos · 22 afirmações

Transtornos e tratamentos

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

O que é um transtorno mental

Um transtorno mental é definido por sofrimento ou prejuízo persistente no funcionamento, e não por ser estranho ou raro. Os manuais diagnósticos, como o DSM e a CID, organizam os transtornos em categorias por sintomas observáveis, o que melhora a confiabilidade entre profissionais, embora muitos quadros se comportem como dimensões contínuas e se sobreponham. O modelo biopsicossocial integra vulnerabilidade biológica, história psicológica e contexto social; a versão diátese-estresse explica por que o mesmo evento adoece uma pessoa e não outra. Os transtornos são comuns: quase metade das pessoas terá algum ao longo da vida. Erro comum: ligar transtorno mental a violência; a maioria das pessoas com transtornos graves não é violenta e tem mais chance de ser vítima do que agressora.

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02

Ansiedade, TOC e trauma

Os transtornos de ansiedade estão entre os mais prevalentes na população e incluem ansiedade generalizada, fobias específicas, ansiedade social e transtorno de pânico. No pânico, uma descarga súbita do sistema de alarme produz taquicardia, falta de ar e sensação de morte iminente em pessoas com coração saudável, e o medo de novos ataques alimenta a evitação. No transtorno obsessivo-compulsivo, pensamentos intrusivos geram angústia que os rituais aliviam por instantes, reforçando o ciclo. O transtorno de estresse pós-traumático envolve revivência, evitação e hiperalerta após um evento ameaçador; a maioria das pessoas expostas a trauma não o desenvolve. Erro comum: chamar de TOC o simples gosto por ordem e limpeza; o diagnóstico exige sofrimento intenso e horas consumidas por obsessões e compulsões.

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03

Depressão e transtorno bipolar

O transtorno depressivo maior combina humor deprimido ou perda de interesse com alterações de sono, apetite, energia e concentração por pelo menos duas semanas, e é uma das principais causas de incapacidade no mundo. Fatores genéticos, estresse, perdas e estilos de pensamento negativos, como atribuir fracassos a causas internas e permanentes, aumentam o risco; mulheres recebem o diagnóstico cerca de duas vezes mais. No transtorno bipolar, episódios de depressão se alternam com mania ou hipomania, períodos de energia, euforia ou irritabilidade e pouca necessidade de sono; a hereditariedade é alta. Erro comum: tratar a depressão como fraqueza que se vence com força de vontade e pensamento positivo; a fadiga e a desesperança são sintomas, não falta de empenho.

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04

Esquizofrenia e psicoses

Esquizofrenia é um transtorno psicótico marcado por sintomas positivos, como delírios, alucinações e fala desorganizada, e sintomas negativos, como embotamento afetivo, isolamento e falta de motivação, que costumam ser os mais incapacitantes. Começa em geral no fim da adolescência ou início da vida adulta, atinge cerca de 1% da população e tem forte componente genético, somado a fatores como complicações no parto e uso de cannabis na adolescência. Estudos de neuroimagem mostram ventrículos aumentados e alterações na dopamina, mas nenhum exame diagnostica o quadro. O curso varia muito: parte das pessoas se recupera bem com tratamento continuado. Erro comum: confundir esquizofrenia com múltiplas personalidades; o nome refere-se à divisão entre funções mentais, não a várias identidades.

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05

Infância e personalidade

Alguns transtornos aparecem na infância. O TDAH envolve desatenção, impulsividade e agitação acima do esperado para a idade, com alta hereditariedade e diferenças em redes cerebrais de controle; não é falta de limites, embora o diagnóstico exija cuidado para não rotular comportamento normal. O transtorno do espectro autista combina dificuldades de comunicação social com interesses restritos e comportamentos repetitivos; a comunicação facilitada, em que um ajudante guia a mão da pessoa, produz mensagens do ajudante, como testes cegos mostraram. Transtornos de personalidade são padrões rígidos e duradouros, como o antissocial e o borderline. O transtorno dissociativo de identidade é controverso: muitos casos surgem após terapia sugestiva e exposição à mídia. Erro comum: supor que todo diagnóstico infantil é modismo ou invenção.

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06

Psicoterapias com evidência

Ensaios clínicos controlados mostram que a psicoterapia funciona, inclusive para transtornos graves, e que algumas abordagens são superiores para problemas específicos. A terapia cognitivo-comportamental reduz sintomas de depressão e ansiedade ao modificar pensamentos distorcidos e comportamentos de evitação; a exposição gradual e planejada ao que causa medo é o tratamento mais eficaz para fobias e TOC; o EMDR alcança resultados semelhantes aos da exposição para o estresse pós-traumático, provavelmente pelo mesmo mecanismo. Para depressões recorrentes, a terapia cognitiva baseada em mindfulness diminui recaídas, e a combinação com medicação costuma superar cada um isolado. Também há intervenções que prejudicam: o desabafo único logo após o trauma não previne o transtorno e pode piorar. Erro comum: julgar uma terapia pelo relato de quem gostou dela.

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07

Tratamentos biológicos

Os medicamentos psiquiátricos atuam sobre neurotransmissores: antidepressivos ISRS aumentam a serotonina disponível na sinapse em horas, mas o efeito clínico leva semanas, sinal de que a melhora depende de mudanças mais lentas no cérebro. Antipsicóticos reduzem delírios e alucinações, sem curar a esquizofrenia; o lítio reduz recaídas no transtorno bipolar e está ligado a menor risco de suicídio. A eletroconvulsoterapia, hoje feita sob anestesia, é eficaz em depressões graves resistentes. Todo tratamento carrega um efeito placebo real: a expectativa ativa vias cerebrais que diminuem dor e sintomas, por isso os ensaios comparam com pílulas inertes. Erro comum: acreditar que exames provam que a depressão é falta de serotonina; a teoria do desequilíbrio químico simplifica demais e não é confirmada por testes de laboratório.

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